O Deserto

Agosto 28, 2009

Um poder que abandona o património é um poder sem futuro”

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 11:29 am

Estas foram as palavras de Jerónimo de Sousa citadas no DN de hoje (28 08 2009) por uma vez estou de acordo com ele, tenho mesmo uma sugestão: Devia dizer isso aos seus seguidores em Almada, talvez assim compreendessem que não têm mesmo futuro. O património deste concelho está mesmo entregue aos bichos (e ervas daninhas). Isto abrange as zonas históricas, as suas instalações industriais, as pequenas capelas espalhadas pelo concelho, a nora construída por Eiffel, poder-se-ia continuar
Emblemáticos são os casos da Capela da Ramalha e da Moagem do Caramujo, ambas de propriedade municipal. A primeira foi sendo abandonada até chegar à semi-ruína e está a ser alvo de um processo de construção que nunca deveria acontecer; a segunda vai-se degradando sem que nada seja feito. Têm importância os lugares? A Ramalha é fundamental nas tradições do Concelho é o ponto de partida das procissões de S. João; a moagem é, apenas, o primeiro edifício de betão armado da Península Ibérica.
Não têm futuro, ainda bem que o próprio chefe do PCP a dizê-lo
Nuno Pinheiro

Julho 23, 2009

O PCP agora é Miguelista?

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 3:41 pm

Uma pérola encontrada no último boletim da Câmara Municipal de Almada, sobre o restauro e devolução ao culto (que lá não existia há 150 anos) da Ermida de S. Sebastião:
“No Século XIX a Ermida voltou a sofrer um duro golpe, com o anticlericalismo caracteristico do liberalismo a votar este edifício ao abandono. O edifício passou então a servir de hospital provisório, recebendo também pobres e indigentes.”
Parece que depois da conversão ao catolicismo na sua versão Salazar/Cerejeira a propósito do Cristo-Rei, o PCP de Almada se virou para o clericalismo miguelista a propósito da Ermida de S. Sebastião.
A politica da Câmara de Almada em relação ao património é a caracteristica da direita, desvaloriza a herança industrial e operária (se for preciso destroi peças importantes à sucapa) e valoriza a herança clerical que estava morta e enterrada há muito.
Já não é do meu tempo, mas lembro-me de ouvir falar num velho anarquista que sempre que via uma pia de água benta tinha que lhe cuspir. Este homem fazia parte da identidade desta cidade, assim como o ter uma igreja transformada em taberna, ou terem ido os santos rocha abaixo no 5 de Outubro (ou terá sido a 4?).
Estes novos católicos que se cuidem, se aqui há tempos diziam que Almada tinha sido um dos principais bastiões da luta contra o Salazarismo, agora parece que não sabem onde estão. E mesmo o Miguelismo teve aqui a sua derrota decisiva.

Julho 22, 2009

Funeral de Álvaro Cunhal (2)

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 12:19 pm

funeral de Álvaro Cunhal

Funeral de Álvaro Cunhal

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 12:13 pm

Funeral de Alvaro Cunhal

Julho 20, 2009

Incendiário aos 20, bombeiro aos 40

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 3:02 pm

Aos 20 incendiário, aos 40 bombeiro, ou nem por isso.

Tenho algures os papéis para assinar, em causa está a minha candidatura à Assembleia Municipal de Almada. Fico em zona cinzenta que é a que me convém, não estava muito seguro deste passo, assim a decisão fica nas mãos dos eleitores.
É um passo menos natural do que a minha primeira candidatura, já lá vão 30 anos, na lista do PSR à Assembleia da República, em Beja, creio. Pelo meio ficaram (sempre pelo PSR) candidaturas em todas as eleições para a AR e autárquicas a que o PSR concorreu e as europeias de 1994.
Depois de uma travessia do deserto de vários anos, em que o meu envolvimento político foi apenas votar, estou de volta. Uma das vantagens do deserto é a liberdade. Não me tinha imposto prazos nem balizas. Voltaria quando, como e se quisesse.
O mandato da CDU à frente da Câmara Municipal de Almada impôs-me o regresso. Uma gestão que nunca foi boa tornou-se no maior dos disparates. Conseguiram destruir o centro da cidade, não beneficiar ninguém com o metro e fazer carradas de propaganda. Se a isto juntarmos a inexistência de visão para a educação, uma concepção clientelar da cultura (o que vale é que havia umas clientelas de melhor qualidade), o abandono das zonas históricas e monumentos, o desprezo das zonas ribeirinhas e o combate contra os transportes colectivos que eu uso (como a maior parte das pessoas), temos pouco de bom a retirar. Como sempre algumas gotas fizeram transbordar o copo. Uma foi haver uma página do pasquim municipal dedicado a uma ciclo via virtual. Outra foi a intervenção disparatada da Ecalma à minha porta derrubando árvores, exigindo ilicitamente documentos e, sobretudo não resolvendo o problema do abuso do espaço público por parte de algumas empresas que tinham (e têm) nesta zona as suas sucatas. Finalmente foi o restauro e devolução da ermida de S. Sebastião ao culto que já lá não existia desde meados do Século XIX. A destruição (à socapa) das caldeiras da fábrica Barreiros na Margueira creio ter sido do mandato anterior. Enfim se parece haver autarcas que mereciam estar na prisão, poucos há que mereçam perder as eleições como a CDU em Almada.
Para muitos será estranho que me candidate pelo PS, o Bloco de Esquerda de certeza que me acolhia, até me arranjariam um lugar elegível, quem sabe se me quereriam a encabeçar alguma lista. Eu é que não me quereria candidatar pelo BE. Não que me tenha tornado de incendiário em bombeiro, mas porque no BE está alojado muito daquilo que tenho sempre rejeitado.
Não estou, nem estarei, num partido em que se abrigam os actuais e ex(?) estalinistas e que ao não ter práticas internas democráticas não mostra nada de bom para as suas práticas na sociedade. Gostava de saber o que pensam (hoje) muitos dos militantes do BE sobre Pol Pot ou os processos de Moscovo. Penso que a maior parte dos antigos militantes do PSR partilha a minha visão, nunca fiz nenhuma sondagem, mas todos os que encontro mostram o seu desagrado com as práticas “bloquistas”.
Se aprofundar as minhas ideias políticas penso que a designação de “marxista clássico” será legitima, uma vez que não vejo em Marx a necessidade de partido único e centralizado (os meus conflitos no PSR sempre se centraram na concepção leninista do partido), nem de suprimir os adversários. Penso que a ideia de que não há socialismo sem liberdade se tornou tão evidente que nem é preciso referi-la.
Não passei de incendiário a bombeiro, mantenho os mesmos ideais, mas há uma diferença naquilo que penso ser o meu papel. A ideia mais reformista de tentar fazer reformas estando no parlamento ou no poder e a ideia revolucionária de usar os movimentos sociais e de rua para essas reformas têm-se excluído mutuamente. Pela minha parte penso que se complementam. Só mudou o ponto em que me situo nesta equação, se me candidato pelo PS nestas eleições é para fazer o mesmo para que me candidatei pelo PSR, a diferença é que antes o papel estava terminado no dia das eleições, agora posso continuar a defender aquilo em que acredito.

Julho 1, 2009

Daniel e David

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 11:41 am

Daniel e David – Gémeos no comunismo

Daniel (pseudónimo de Álvaro Cunhal) figura cimeira do comunismo português tem uma biografia bem conhecida dos portugueses. O seu lugar, enquanto combatente contra a ditadura e na construção do PCP deram-lhe um lugar mítico dentro e fora do partido. Os vários volumes da sua biografia escrita por José Pacheco Pereira, trabalho geralmente sério, terão contribuído para alguma desmistificação.
A mitologia de Daniel construiu-se por meio de aspectos tão diversos como a estadia e fuga da prisão, os seus textos literários e desenhos, para não falar da sua vida amorosa. O mistério foi sempre bem gerido, contribuindo para a mitologia do “grande partido anti-fascista” que terá tido um papel bem menor na luta contra a ditadura do que aquilo que se pensa.
Tal como o papel do PCP foi mais pequeno que o proclamado também o papel de Daniel foi mais pequeno que o celebrado pela história oficial no PCP. Sendo uma boa parte desta história passada em tempo de ditadura poucos conheciam as partes mais obscuras, os rivais eliminados, as verdadeiras condições da clandestinidade. O conflito do PCP com uma ala pro-chinesa contribui para a bruma em que está envolta a figura de Cunhal. A política de fechamento de arquivos aos historiadores ajuda a um conveniente não conhecimento.
A mitologia em torno da figura de Cunhal é suficiente para que na televisiva eleição do “Maior Português de Sempre” tenha ficado em segundo lugar, a seguir a Salazar. Apesar dos exageros e da mitologia é inegável o papel que teve na construção do partido e na vida política portuguesa do Século XX.
Com cinquenta anos cumpridos há pouco tempo e sem uma grande história de luta contra a ditadura (a idade não o permite) a figura de David apresenta traços comuns com a de Daniel. Há um mesmo perfil austero, uma importância semelhante na construção partidária, uma grande capacidade intelectual e uma grande cultura e um extravasar das fronteiras dos respectivos partidos. Se um conseguia ser eleito um dos maiores portugueses de sempre, o outro, apesar de liderar um partido que só agora entrou no campo dos grandes, apresentava-se, desde há alguns anos, como um dos políticos mais populares do país.
Creio que já está levantado um pouco do véu da verdadeira identidade de David, mas um pequeno episódio ajudará a estabelecê-la melhor. Vivia-se o ano de 1978, num congresso a LCI e o PRT fundiam-se para criar o PSR (o nome foi uma das maiores discussões). Ferreira Fernandes (agora jornalista do DN) fazia um discurso em que dizia: “temos que garantir que o nosso David ganhe ao Golias.” Do Golias, então secretário-geral do PRT, nunca mais se ouviu falar. David, então pouco mais de 20 anos já era um dos principais dirigentes da LCI. Acabou por ser o principal dirigente do PSR e depois do BE. Identidade descoberta: David era o mais conhecido pseudónimo de Francisco Louçã.
A sua caminhada menos conhecida também passa pela reconstrução do partido (com um grupo muito pequeno de gente jovem) que graças a ele foi o que melhor sobreviveu ao final do PREC.
Ao contrário do PCP não existiu uma politica de purga na LCI/PSR, excepção feita a Francisco Sardo e Francisco Vale no início de 1976, mas os rivais foram sendo eliminados de forma mais subtil. É assim que no actual Bloco de Esquerda não parece restar nenhum dos fundadores da LCI/PSR, há muito poucos dos da geração do próprio FL e não vejo mesmo os que entraram no final dos anos 80 e deram o grande impulso ao PSR no início dos anos 90.
Há alguma diferenças nos métodos utilizados, Louçã é mais brando que Cunhal. Não hesita em usar a mesma demagogia que usa para fora contra os inimigos internos, mas não conheço situações em que se tenha ido mais longe. No PCP há um longo reportório de insinuações e calúnias extra políticas que foram utilizadas contra adversários. Uns seriam homossexuais, outros agentes de tal ou tal serviço secreto, mais recentemente corruptos, ou, ainda, a mais tradicional história da mulher (de preferência estrangeira) que teria dado volta à cabeça deste ou daquele militante caído em desgraça. A posição puritana tradicional do estalinismo favorece esse tipo de argumentos que soariam muito mal quase se defendem posições mais liberais.
Outra semelhança está nas dificuldades do percurso académico, ambos o tinham nas mãos. Cunhal acabou por ter um percurso dificultado pela prisão, a ditadura e o seu rumo de vida levaram-no noutro sentido. Louçã que hoje é conhecido como brilhante académico também terminou a sua licenciatura bastante tarde, a política esteve no meio. Ao contrário de Cunhal que nunca terá hesitado no seu percurso, Louçã encarava a possibilidade, em 92/93, de uma dedicação exclusiva à vida académica.
A palavra coerência também tem sido usada cara caracterizar os dois. A coerência de Cunhal é bem conhecida, foi o acompanhar todas as viragens e “linhas de rumo” provenientes de Moscovo, por mais contraditórias que fossem. Louçã tem, nos últimos tempos, assumido posições que estão muito longe da própria raiz ideológica do trotskismo. Defendeu, por exemplo, boicotes à China, o que vai contra a posição tradicional de Trotsky de defesa do estado operário, ainda que burocraticamente deformado.
O percurso de Cunhal, décadas à frente do PCP, está encerrado. Como os eucaliptos secou tudo à sua volta, basta ver os dirigentes que lhe sucederam. As circunstâncias históricas afundaram o seu partido que está longe da glória anterior, mas ainda resiste. Muita dessa resistência deve-se a Cunhal, às realidades e mitos que soube construir em décadas.
Louçã também tem décadas de direcção partidária, é o decano dos dirigentes partidários portugueses. O crescimento do BE coloca-lhe desafios, já nas próximas eleições pode estar em situação de aceder ao poder (em coligação). O BE tem em comum com o PCP a falta de democracia interna, mas é um partido frágil e heterogéneo que pode quebrar em face desse dilema, ou esvaziar quando as circunstâncias mudarem.
Tal como Cunhal, Louçã tem trabalhado para um lugar na História, como o seu percurso não está encerrado, é difícil dizer qual será, mas não tenho dúvida que uma das suas maiores motivações, tal como aconteceu com Cunhal, estará aqui.
Nuno Pinheiro

Junho 14, 2009

Bem vindos ao deserto (2) A travessia

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 11:30 pm

A minha saída do PSR correspondeu a uma retirada da vida política…à travessia do deserto. Esperava por um momento em que o apelo ao regresso fosse forte, em que fosse necessário. O doutoramento estava terminado, tinha regressado à escola sem me conseguir adaptar de novo a ela, e um regresso à vida politica parecia cada vez mais remoto.

Tinha caído Guterres, entrado Durão e depois Santana. O caminho para a vitória do PS parecia imparável, poderia ter entrado então, mas (para mim) seria uma manobra oportunista – entrar para um partido que está à beira de ganhar eleições. Estive num dos comícios das legislativas de 2005, falei com António Vitorino. Punha-se a possibilidade de ser necessária alguma mediação com o BE.

Por esta altura tentava (desesperadamente) encontrar uma alternativa à escola. Se lá continuasse brevemente estaria numa situação difícil, acabaria por ficar com aquilo a que se chama “redução total da componenente lectiva”, primeiro por motivos físicos, mas sei o que aconteceria a seguir.

Foi então que o José Leitão me levou para a DREL. Inicialmente não tinha um destino determinado, mas acabei por ficar com funções em que todos pensavam que eu era militante do PS.

Muito do meu trabalho passava por politicas locais de educação, até por politicas locais em geral. Depois de ter uma visão mais ampla, o trabalho autarquico parecia-me aliciante. Em Almada as coisas estavam a correr muito mal. O Metro Sul do Tejo que deveria melhorar a vida das pessoas estava a ter o efeito contrário. O Centro da cidade transformava-se num deserto, até nas questões mais básicas se via a dificuldade em gerir o Concelho. Porém a propaganda era boa… e muita.

Foi a propaganda que me levou à necessidade de agir. Uma página inteira do Boletim Municipal dedicada a uma ciclovia que afinal era virtual levou-me à necessidade de actuar, de trabalhar para a mudança de uma forma que, ao contrário do que tinha feito no passado, fosse eficaz.

Foi assim que alguns me encontraram (espantados) na preparação da campanha autarquica do PS em Almada. Quando se soube que o candidato era o Paulo Pedroso  só pude ficar contente. Ia ser uma campanha forte mas difícil, antes assim.

Bem vindos ao Deserto

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 4:19 am
Nuno Pinheiro .... o fim da travesia do deserto

Nuno Pinheiro .... o fim da travesia do deserto

14 de Junho de 2009…. Parece estar na altura de terminar a travesia do deserto. Entrei para este deserto por altura das legislativas de 1999. Na altura era militante do PSR (tinha o estatuto estranho de ser o mais novo da velha guarda) e consequentemente (?) do nascente Bloco de Esquerda. Foi aí que tudo se complicou…

Confirmava-se o que tinha avisado no Congresso do PSR uns meses antes. O PSR perdia a sua identidade democrática para entrar numa deriva estalinista. Alguns momentos altos da estalinização foram a escolha dos candidatos às legislativas, feitos por estruturas distritais inexistentes (é autentico), o meu desaparecimento misterioso e por “uma falha informática” das listas de convocatória para reuniões. Pelo meio ficou um texto que tentei publicar nos documentos de discussão (a defender um funcionamento democrático para o BE) que mereceu um telefonema da direcção – Queres mesmo publicar isto? – Em face da pergunta já não valia muito a pena; Ficou sobretudo uma reunião de Comité Central em que não foi o estar contra todos que me impressionou, mas o ter pessoas que em privado vinham manifestar a sua concordância com a minha posição e em público tinham a contrária.

Tinha, no final de 1999, uma escolha ou fazia desta luta interna o centro da minha vida, ou me afastava. Tinha um filho com meses, um doutoramento em progresso, escolhi afastar-me.

Ainda fui a um congresso do PSR (semi clandestino) em 2001, não organizei uma tendência, nem teses alternativas, apenas apresentei algumas redacções alternativas – sempre no sentido de defender processos democráticos. O meu objectivo era testar as condições democráticas no interior do PSR… e o teste foi mau…

Logo à entrada questionaram a minha legitimidade como delegado eleito com algum pretexto em cotas não pagas – que aliás estavam pagas. Durante o congresso o debate foi durissimo. Francisco Louçã (amigo de mais de 25 anos) usou toda a demagogia que pôde. Mesmo assim as votações davam-me sempre acima dos 25% de votos. A gota de água deu-se na eleição do Comité Central. Não fiz nenhuma proposta, apenas, e por verificar que muitos delegados não conheciam os candidatos, que estes se levantassem à medida que eram referidos. Proposta não aceite pela mesa… nunca se tinha feito tal coisa, mas a verdadeira razão é que muitos dos candidatos nem se tinham dado ao trabalho de aparecer e estavam na lista por serem fieis ao mestre.

Era demais para mim, fui-me embora durante essa votação e redigi uma carta de demissão. Aí entrei mesmo no deserto. Como tive sempre o príncipio de separar a minha vida privada da politica, não fiquei muito afectado. Só saí zangado com uma pessoa – Francisco Louçã. Decidi voltar à vida politica se e quando sentisse necessidade.

No final de 2001 há um episódio curioso e marcante. Tinha acabado de aterrar em Buenos Aires, dava o meu primeiro passeio pelas ruas do centro, estava algo receoso em face de uma realidade que não conhecia. Na Avenida de Maio, frente ao Ministério da Agricultura encontro uma pequena manisfestação. A maioria eram camponeses com feições indias (raros na Argentina). À sua frente estava um militante e uma organização trotskista local (há muitas). Não que houvesse nenhuma semelhança física, mas senti-me retratado nele, o que ele estava a fazer já eu tinha feito inumeras vezes. Fiquei a achar que já não era o papel para mim.

Nuno Pinheiro

Hello world!

Arquivar em: Uncategorized — Nuno Pinheiro @ 3:34 am

Bem Vindo(a).

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